A arte de transformar conceitos em esculturas
Nas ruínas de um antigo britador desativado há décadas, no alto da Zona Sul, em Pato Branco, o artista plástico Sinésio Pereira Chueiri, o Kalu, instalou seu ateliê e sua residência. O local, escolhido para a nossa entrevista, mais parece um trabalho a ser concluído por Vik Muniz. Com um pé direito alto, o lugar apresentava abundância de sucata de metais, resíduos de madeira, argila e pó, muito pó – matérias-primas de suas obras. De simpatia rara e didática reservada aos bons mestres, Kalu recebeu-me e logo apresentou um busto de mulher sobre a mesa, quebrado em diversas partes. A peça, uma de suas obras, agora transformada em várias, foi um troféu entregue a uma empreendedora. A fragmentação foi resultado do erro de cálculos e da falta de atenção de uma auxiliar doméstica ao retirar a poeira acumulada sobre o objeto. Como um ourives, Kalu passou a dar atenção ao trabalho que exigia precisão, enquanto conversávamos. Ao invés de metal precioso, o artista separou resina, cola e pó de c...