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O hábito da ética

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O historiador Leandro Karnal defende que a virtude ética deve ser adquirida pelo hábito e precisa ser ensinada em casa, na escola, no trabalho. Aos empresários, um conselho: ser ético é altamente lucrativo A figura do personagem Zé Carioca ainda é utilizada para ilustrar uma das características constitutivas do povo brasileiro: a malandragem. Criado por Walt Disney, na década de 1940, Zé Carioca era constantemente assediado por cobradores e nunca os pagava, vivia a plenitude do ócio e era exímio com a lábia. É a típica malandragem que Fernando Motta descreve em Cultura e Organizações no Brasil como uma predisposição para tirar vantagem, passar para trás e, eventualmente, enganar, presente do malandro maltrapilho ao de terno e gravata. Em palestra realizada em Blumenau, SC, durante o 32º Congresso Nacional dos Sindicatos Patronais do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o professor doutor da Universidade Estadual de Campinas, Leandro Karnal, ao abordar o tema “Vida sem étic...

É desse país que sentem saudade?

Eu nasci nos anos 80, no Sul do Brasil e desde sempre fiz parte de uma família de classe média, cristã e sou filha de uma professora e de um eletricista. O orçamento era sempre apertado, nunca passamos necessidades e nos dávamos o direito a alguns luxos, como tomar Coca-Cola uma vez na semana, sempre aos domingos. Festas de aniversário com convidados eram a cada cinco anos, viagens de férias eram raras e antes de adquirimos algum produto era feita uma pesquisa de supermercado em supermercado, afinal, os preços mudavam diversas vezes ao dia. Para matar a minha curiosidade ia tirando etiqueta por etiqueta para ver quanto o produto custava antes. Essa era a hiperinflação que causava pavor a qualquer trabalhador. Cinco pacotes de cinco quilos de arroz na dispensa de casa, ao lado de mais alguns de feijão, seis latas de azeite e de pêssegos em calda, algumas caixas de café, outros quilos de açúcar. Não, não era comida para um batalhão, era o medo de que o preço do alimento não estiv...